sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Aborto

Dia 11 de Fevereiro todos os portugueses irão poder participar na decisão da despenalização, ou não, da mulher por realizar um aborto voluntário. Praticamente todos têm demonstrado a sua opinião ou através de debates, ou de campanhas na rua, ou de tempo de antena ou em sites e blogs, tal como eu agora faço. Contudo, apesar da muita informação transmitida e de uma notória pressão dos media para que as pessoas votem a favor, julgo que é necessário uma vez mais repetir algumas situações que a meu ver parecem ainda não terem sido bem assimiladas pela grande maioria das pessoas.
Muitas pessoas questionam-se se no caso de violação não iriam ser a favor de um aborto, como solução para esse problema. È importante no entanto ressaltar que não se está a debater isso. A actual lei portuguesa, já desde 1984, que prevê o aborto legal para várias situações. E Passo a citar:
- O aborto não é punível quando (causas de exclusão da ilicitude – artº 142º) for efectuado por médico, ou sob a sua orientação, em estabelecimento de saúde oficial ou oficialmente reconhecido, com o consentimento da mulher grávida quando:
a) constituir o único meio de remover perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida ou casos de fetos inviáveis (sem limite de tempo);
b) se mostrar indicado para evitar perigo de morte ou de grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física e psíquica da mulher grávida e for realizada nas primeiras doze semanas de gravidez;
c) houver motivos seguros para prever que o nascituro virá a sofrer, de forma incurável, de doença grave ou malformação congénita (aborto eugénico), e for realizado nas primeiras 24 semanas;
d) a gravidez tenha resultado de crime contra a liberdade e autodeterminação sexual (por exemplo, violação) e a interrupção for realizada nas primeiras 16 semanas
Se não estamos a decidir sobre qualquer um destes casos, estamos a decidir sobre o quê? Estamos a decidir se uma mulher, por qualquer razão engravidar e essa gravidez não for desejada, pode abortar sem que por isso seja punida. Acontece que actualmente poucos são os casos em que uma mulher pode engravidar indesejavelmente. Defenderem a despenalização do aborto por essa razão é o mesmo que atirarem areia para os olhos. Os métodos contraceptivos são mais eficazes do que nunca. A pílula tem uma taxa de eficácia de 99% e o preservativo assemelha-se a ela. Em todos os centros de saúdes são distribuídas pílulas e preservativos gratuitamente, para não mencionar os muitos outros sítios onde se podem encontrar preservativos a baixo custo ou mesmo a custo zero. A instalação de um dispositivo intra-uterino actualmente também pode ser realizada a custo zero, portanto resta-me perguntar: quem é que engravida involuntariamente?
Se tais gravidezes involuntárias acontecem, a razão para esse efeito é falta de educação. Em todas as escolas desde cedo os alunos recebem educação sexual, se os métodos contraceptivos estão ao alcance de toda a gente, a falha é de quem? Das próprias pessoas. Sendo assim, não devem ser punidas por um crime, uma vez que tendo oportunidade de evitar o aborto como recurso, preferem ignorar tudo o que está ao seu alcance e cometer tal infracção? Por essa ordem de ideias deveríamos despenalizar muitas outras pessoas que cometem actos criminosos tais como conduzir embriagado, uma vez que também estaríamos a agir contra a liberdade de um indivíduo.
Agora, porque será que cometer um aborto é considerado um acto criminoso? Muitos defendem de que é uma decisão que cabe à mulher, uma vez que se trata do seu corpo. É importante salientar que não se trata apenas do seu corpo, mas sim também de um outro ser vivo. È curioso ver como existem tantas pessoas que defendem os direitos dos animais e das plantas, e no entanto essas mesmas pessoas muitas das vezes não se preocupam em defender os direitos de um ser vivo ainda em gestação. É que não se trata apenas de um ovo, trata-se de um ser humano em desenvolvimento, vivo, cujo coração a partir das 8 semanas já bate. Cujo cérebro se começa logo a formar, e cujo genoma é imediatamente definido segundos após a fecundação.
Para finalizar, pergunto: a quem é que interessa então a aprovação de uma lei como esta? Será às mulheres? Talvez a umas poucas, mas será essencialmente ao governo que passa a ter uma imagem mais favorável junto dos eleitores, e acima de tudo às empresas que se dedicam a este tipo de actividade (é curioso como já foi definido que uma empresa espanhola de abortos se vai instalar em Lisboa ainda este ano, mal o referendo seja concluído, independentemente do seu resultado).
Para finalizar, concordar com a despenalização do aborto? Não, obrigado!

4 Comments:

Blogger Unknown said...

Hoje tenho mesmo de comentar o teu blog, sou pelo sim a 200%! A questão fulcral não se prende com a decisão se achamos bem ou mal uma mulher abortar caso a sua gravidez não seja desejada, mas sim erradicar o aborto clandestino que é sem dúvida um grave problema de saúde pública bem como a mudança de uma lei que é desajustada e criminaliza as mulheres. Se o resultado do referendo for Não, os abortos clandestinos vão continuar contribuindo para mais casos de infertilidade, doenças e mortes, por isso eu voto SIM pela dignidade e saúde das mulheres que tem a direito a interromper a sua gravidez após uma decisão, que é sempre difícil e não é feita de animo leve… e que ninguém sobre isso tenha duvidas, num estabelecimento de saúde com condições e legalmente autorizado. Dizem que o aborto é crime mas defendem que a mulher não e criminosa, então porquê sujeita-las a uma pena que pode ir ate aos 3 anos de prisão?
Esta lei é injusta e não impede o aborto, e é isto que esta em causa!!!

sábado, 03 fevereiro, 2007  
Blogger L3ka said...

EU VOTO SIM!!!!
PARA ACABAR COM A HUMILHAÇÃO!
ABAIXO OS CONSERVADORES COMO TU!
VIVA A LIBERDADE DA MULHER!
cabelinhos..

http://fermentacoes.blogspot.com

:P

sábado, 03 fevereiro, 2007  
Anonymous Anónimo said...

o gado a que os seus comentadores pertencem, alem de rachado, e frivolo como a evolucao.

terça-feira, 06 fevereiro, 2007  
Anonymous Anónimo said...

Eu tambem voto Nao. E tudo aquilo que dizes é aquilo que eu propria digo. Nao estamos a votar por uma despenalizaçao mas por uma liberalização. Estamos a votar para que se possa ter mais um metodo de impedir um nascimento [do tipo: a pilula falha (ou simplesmente da trabalho ir ao centro de saude buscar de graça) nao apeteceu usar preservativo porque nao da prazer.. Pilula do dia seguinte nao resultou.? Boa! temos mais um metodo: bora abortar? é livre! ] Votar sim nao significa acabar com o aborto clandestino. Porque.. COncerteza este será mais barato do que numa clinica, logo continuarão a haver pessoas a recorrer as ditas abortadeiras.

Apenas nao concordo contigo numa coisa, dizes que ha educaçao sexual nas escolas, mas não ha em sua grande maioria e a que ha nao e de todo correspondente ao que deveria ser. Educar sexualmente ou para uma vida sexual plena e feita de escolhas proprias nao se aprende, nao é ensinada, pensa-se, reflecte-se. Educar para a sexualidade é muito mais do que ensinar como é o aparelho sexual. Diria que seria mais preciso aulas de consciencia da sexualidade.

Um beijo, Tatiana.

quinta-feira, 08 fevereiro, 2007  

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