Viagem a uma terra D'Alem do sol posto
Quem é que nunca perdeu um passe de autocarro, comboio ou metro? Mas quem é que percorreu pelo menos 40km para o recuperar? Até o simples episodio de perder um passe na minha vida torna-se um pequeno filme. Pois bem…eu passo a contar.
Foi naquela húmida segunda-feira, dia 23, do chuvoso mês de Outubro do Ano de 2006. O Local do Crime: Vila Franca de Xira. A Hora: aproximadamente 20h20m. Tinha eu acabado de chegar a Vila Franca, depois de um extenuante dia de trabalho, de um passeio pela baixa para ir buscar uns sapatos novos e de uma longa conversa na explanada d’A Brasileira (onde por acaso fui assediado). Estava escuro e eu saí do comboio com pressa, ansioso para chegar a casa, mas mal saio da estação vejo o autocarro a partir…e tive de ali ficar a espera do próximo. 15 minutos depois estava a entrar no autocarro. Mostrei o passe e fui sentar-me ao lado de uma amiga que tinha acabado de encontrar. Minutos depois estava a chegar a minha paragem de desembarque. Saio do autocarro e sigo o caminho para casa, quando meto as mãos aos bolsos e apercebo-me de que não tinha lá a minha carteirinha dos passes e do cartão de credito. Assustado apresso o passo ate casa e verifico se não estaria dentro da mala. Não estava! Faço o percurso de regresso a paragem, olhando bem para o chão e também não estava lá. Senti o coração apertar-me. Respirei fundo e calmamente pesquisei na Internet (abençoado google!) e descobri o contacto do terminal rodoviário. Daí a 10 minutos recebia a resposta positiva de que a carteira tinha sido encontrada. E acabaria aqui a típica história de quem perde um passe…mas no meu caso, é apenas o início. É que, por acaso, o autocarro não ia para o terminal, mas sim para a casa do próprio condutor, porque tratava-se do último percurso do dia dele e por qualquer motivo de logística assim era preferível fazer. Desesperado com a ideia de que só no dia seguinte seria possível ter o passe, o que ate seria bastante complicado dado que o terminal fica muito longe da minha casa, pedi a morada do condutor. Pouco depois, eu, o meu pai e a minha mãe estávamos a caminho da casa dele.
A terra chamava-se Cabanas de Torres, uma aldeia com apenas 1013 habitantes, escondida algures na serra do Montejunto. Ficava para alem da Alenquer e da Abrigada. Como quem tem boca vai a Roma, nos conseguimos lá chegar. Encontrar a casa do condutor é que foi mais difícil. Chegamos a um café e perguntamos pelo senhor Joaquim Guilherme Disseram que ele era bastante popular pela aldeia mas pelo menos quem nos indicou o caminho não o deveria conhecer, porque mandou-nos seguir em frente, indo parar a um largo onde estava parado um autocarro de um motorista…acontece é que na mesma aldeia há dois motoristas de autocarros da mesma empresa. Arriscando, batemos a porta de alguém, que nos pudesse indicar onde morava o tal senhor. Apareceu uma senhora de meia-idade (as do campo parecem ser sempre mais velhas do que aquilo que são) em pijama e de braços cruzados a perguntar quem éramos e o que queríamos. Depois de informada, disse-nos que o Joaquim morava lá do outro lado da aldeia mas que era difícil de explicar onde era e por isso ela ia connosco. Foi uma querida! Sempre a pé ficamos a saber coisas como o facto de a aldeia já ser antiga, de haverem bastantes casais novos a chegarem e de aquele lugar continuar a ser o “céu”, dado que não há perigos de assaltos. Depois de muito andar e de subir um monte incrivelmente alto e íngreme e de o descer um pouco na outra encosta, acabamos de chegar a zona onde ela sabia que ele morava, mais a família, mas não sabia afirmar qual a casa, pelo que preferiu bater a porta da casa da sogra do Joaquim. Ouve-se um som lá de dentro a perguntar “quem é?”. A velha que estava comigo só dizia “teja descansada que não é ladroes”. Pouco depois abrem-se os estores de uma pequena janela e aparece uma velhota, de óculos, em camisa de noite a perguntar quem éramos, o que queríamos e porque aparecíamos a uma hora tão tardia (21h50m). Prontamente decidiu ajudar-nos e indicou-nos onde morava o seu genro querido e dali a instantes eu tinha de volta o meu passe. Foi realmente uma viagem bastante agradável a uma terra que fica para alem do sol posto!
Foi naquela húmida segunda-feira, dia 23, do chuvoso mês de Outubro do Ano de 2006. O Local do Crime: Vila Franca de Xira. A Hora: aproximadamente 20h20m. Tinha eu acabado de chegar a Vila Franca, depois de um extenuante dia de trabalho, de um passeio pela baixa para ir buscar uns sapatos novos e de uma longa conversa na explanada d’A Brasileira (onde por acaso fui assediado). Estava escuro e eu saí do comboio com pressa, ansioso para chegar a casa, mas mal saio da estação vejo o autocarro a partir…e tive de ali ficar a espera do próximo. 15 minutos depois estava a entrar no autocarro. Mostrei o passe e fui sentar-me ao lado de uma amiga que tinha acabado de encontrar. Minutos depois estava a chegar a minha paragem de desembarque. Saio do autocarro e sigo o caminho para casa, quando meto as mãos aos bolsos e apercebo-me de que não tinha lá a minha carteirinha dos passes e do cartão de credito. Assustado apresso o passo ate casa e verifico se não estaria dentro da mala. Não estava! Faço o percurso de regresso a paragem, olhando bem para o chão e também não estava lá. Senti o coração apertar-me. Respirei fundo e calmamente pesquisei na Internet (abençoado google!) e descobri o contacto do terminal rodoviário. Daí a 10 minutos recebia a resposta positiva de que a carteira tinha sido encontrada. E acabaria aqui a típica história de quem perde um passe…mas no meu caso, é apenas o início. É que, por acaso, o autocarro não ia para o terminal, mas sim para a casa do próprio condutor, porque tratava-se do último percurso do dia dele e por qualquer motivo de logística assim era preferível fazer. Desesperado com a ideia de que só no dia seguinte seria possível ter o passe, o que ate seria bastante complicado dado que o terminal fica muito longe da minha casa, pedi a morada do condutor. Pouco depois, eu, o meu pai e a minha mãe estávamos a caminho da casa dele.
A terra chamava-se Cabanas de Torres, uma aldeia com apenas 1013 habitantes, escondida algures na serra do Montejunto. Ficava para alem da Alenquer e da Abrigada. Como quem tem boca vai a Roma, nos conseguimos lá chegar. Encontrar a casa do condutor é que foi mais difícil. Chegamos a um café e perguntamos pelo senhor Joaquim Guilherme Disseram que ele era bastante popular pela aldeia mas pelo menos quem nos indicou o caminho não o deveria conhecer, porque mandou-nos seguir em frente, indo parar a um largo onde estava parado um autocarro de um motorista…acontece é que na mesma aldeia há dois motoristas de autocarros da mesma empresa. Arriscando, batemos a porta de alguém, que nos pudesse indicar onde morava o tal senhor. Apareceu uma senhora de meia-idade (as do campo parecem ser sempre mais velhas do que aquilo que são) em pijama e de braços cruzados a perguntar quem éramos e o que queríamos. Depois de informada, disse-nos que o Joaquim morava lá do outro lado da aldeia mas que era difícil de explicar onde era e por isso ela ia connosco. Foi uma querida! Sempre a pé ficamos a saber coisas como o facto de a aldeia já ser antiga, de haverem bastantes casais novos a chegarem e de aquele lugar continuar a ser o “céu”, dado que não há perigos de assaltos. Depois de muito andar e de subir um monte incrivelmente alto e íngreme e de o descer um pouco na outra encosta, acabamos de chegar a zona onde ela sabia que ele morava, mais a família, mas não sabia afirmar qual a casa, pelo que preferiu bater a porta da casa da sogra do Joaquim. Ouve-se um som lá de dentro a perguntar “quem é?”. A velha que estava comigo só dizia “teja descansada que não é ladroes”. Pouco depois abrem-se os estores de uma pequena janela e aparece uma velhota, de óculos, em camisa de noite a perguntar quem éramos, o que queríamos e porque aparecíamos a uma hora tão tardia (21h50m). Prontamente decidiu ajudar-nos e indicou-nos onde morava o seu genro querido e dali a instantes eu tinha de volta o meu passe. Foi realmente uma viagem bastante agradável a uma terra que fica para alem do sol posto!

1 Comments:
És fantastico na escrita,aproveita esse dom pra fazeres os outros viajarem pelo mundo da imaginaçao.
Parabéns...Está muito bem escrito.
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